Nesse domingo 08, aceitando o sugestivo convite do filho Ian, fui com a Zezé assistir ao filme “Milagre de Santa Luzia”. Ganhei a tarde pelos bons momentos passados na Sala de Arte (dependências da UFBA no Vale do Canela, Salvador-Ba): primeiro, pelo excelente ambiente, bem administrado e cuidado (parabéns para a UFBa); segundo, por ter a oportunidade de assistir a um documentário elucidativo de como nasceu e se expandiu algo do belo cicro-ritimo da música brasileira, desde o baião nordestino até o tremelicante bombacho gaúcho dos pampas, tendo como instrumento principal a “sanfona” também batizada de “gaita”, “harmônica” ou acordeon de 8 ou até 120 baixos.
No documentário-musical o personagem central foi Dominguinhos , pernambucano de Garanhuns, – José Domingos de Morais – nascido em 12/02/1941.
Mostrados monstros sagrados como: Patativa do Assaré, cearense, – Antonio Gonçalves da Silva – (05/03/1909-08/07/2002); Sivuca, paraibano, – Severino Dias de Oliveira – (26/05/1930-14/12/2006), esses tiveram o imortal Luiz Gonzaga, pernambucano de Exu, precursor do estilo musical nordestino e que foi seguido pelos expoentes já citados. Sempre na história de cada um a humilde origem do agricultor dos agrestes brasileiros. A tradicional sanfona se destacando como objeto de desejo do rude e inteligente matuto. Inteligente, sim. E capaz de ofuscar marmanjos elitizados que, vez em quando, aparecem até em noticiários de cunho político contagiados com gangrenas partidaristas herdadas de caudilhos frustrados, a criticar empreendedores do social.
A rudeza do nordestino, desdentado e de tez curtida pelo sol, logo nos fez levar ao romancista Euclides da Cunha “O sertanejo é antes de tudo um forte” Ó quão sublime inteligência ao compor os seus poemas!
Chegando aos monstros sagrados dos pampas atentamos para a influência italiana no manejar da “gaita” de fole.
O filme termina numa homenagem a Santa Luzia. Particularmente, no meu entender, o produtor da película teve a intenção de melhorar a miopia de alguns brasileiros.
E tranqüilos vimos findar-se a tarde do belo domingo de sol.
Recomendo para qualquer idade.

Não é intelectual, é filósofo





















